O que nós somos? Por que somos? Para onde vamos? E por que vamos?
Estas indagações costumam fazer parte de nossas dúvidas mais íntimas e obscuras, pois a busca pela verdade sempre foi algo que nos causa medo, mas antes que isso , fascínio.
Ser conhecedor da absoluta verdade universal é algo improvável, ou mais que isso, impossível, pois não podemos e tampouco poderemos ser donos do desvendar desta incógnita, e jamais teremos a certeza da confirmação de nossas dúvidas, no entanto temos a opção de ser conivente com a hipocrisia que a nós é transmitida e que nos torna escravos de uma força maior , descrita como cósmica e divina, ou caso contrário, nos rebelar a esta, e tornar nossa subversão uma bandeira ao grito de nossa liberdade física e espiritual.
Porém mesmo que façamos parte dos rebeldes espirituais e passarmos nossa curta temporada neste plano vital, sempre ficará aquela dúvida que nos tortura: E se eu errei? Se fui incrédulo e agora descobrirei que tudo realmente existiu? e se no livro da verdade meu saldo estiver devedor? Se toda a minha vida meus olhos não absorveram a transparência dos ensinamentos de nosso Deus? E se for condenado e passar uma eternidade de sofrimentos e torturas? O que será de mim?
Porém ao passar este conflito interno, algo surgiu para aumentar ainda mais este suplício, e isso vem à tona, quando resolvo hipoteticamente levar em consideração a existência do Criador e conseqüentemente a salvação de um de seus servos. Pois vem a questão: Quando for salvo nascerei novamente, e não recordarei de nada nesta vida. Então não terá sentido esta salvação, pois não serei eu, irei receber um novo nome e sem minhas recordações terrenas, de que irá adiantar tanta glória e regalias.
Então conclui que a morte e a vida são mistérios que consegui desvendar: se conseguirmos existir, isto é uma dádiva de Deus e se conseguirmos ter uma vida conforme os critérios do Criador, seremos salvos, mas mesmos salvos morreremos, pois também passaremos a não existir mais, pois passaremos a ser outro, se não nascemos não saberemos o que é a vida, se morrermos e irmos para o inferno, viveremos eternamente e nossas memórias continuarão a existir, porém pagar-se-á um preço para isso, e este galardão não compensa, e se aproveitarmos nossa vida da maneira que nos propicie maior prazer sem se importar com o que virá após, então estaremos apostando muito alto em algo que ainda nos é desconhecido, ou seja, no pós-morte.
E o que é a morte afinal? E se já estivemos mortos? E se o paraíso são todas as coisas boas que curtirmos na terra e o inferno as coisas ruins que ela nos causa?
Existem duas mortes bem distintas: a morte física (do corpo) e a morte espiritual.
A morte física, ou seja, do corpo, é aquela que todos nós temos informação, onde nossos órgãos param de funcionar e então deixamos de viver, ou, como dizem, passamos desta para uma melhor.
A outra maneira de morrer, e esta sim muito mais dolorosa, é a morte espiritual, ela ocorre quando nos decepcionamos muito, quando perdemos a fé nas pessoas que amamos e, conseqüentemente, em Deus, quando passamos a ser um ser desprezível para aquelas pessoas que são tudo para nós. E quando morremos espiritualmente, passamos a ser zumbis, ou seja, seres sem alma, vagando por este planeta sem razão alguma para existir, onde nosso coração bate apenas por mera necessidade física, porém acaba-se nossa sensibilidade, nossa capacidade de amar, de enxergar verdadeiramente a alma das pessoas que nos rodeiam.
Porém a nossa existência é uma incógnita, desconhecemos nosso início, o que será do nosso dia-dia e principalmente, como se dará o nosso fim.
Erivan Ferreira
domingo, 13 de dezembro de 2009
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